“- Você acha que me conhece! Mas de nada você sabe! Estou indo e espero nunca mais lhe ver na minha frente!” Essas palavras entraram em sua cabeça de uma forma tão violenta, como se fossem lâminas de aço cortando o seu coração. Elas poderiam ter sido ditas por qualquer um nesse mundo, menos por ele. O chão se abriu, ela não sabia mais o que fazer. Estava tudo acabado? Por que aquilo? Por que brigar? Eles se amavam, eles se desejavam. E tudo estava tão perfeito. Pra que? Nem ela sabia.Um dia após aquele acontecimento, ela estava destruída. Sua face estava cansada, ela não se alimentava. Chorava a todo o momento. Seus amigos estavam ausentes. Até que sua campainha toca, rapidamente ela seca as suas lágrimas na blusa preta que Adrian havia lhe dado no aniversário passado e vai até a porta. Tentou olhar pelas frestas, mas não viu ninguém. Então, abre a porta. Não acreditou no que viu. Era impossível, ele tinha ido embora e disse nunca mais voltar. Ela pensou: “Por que estava aqui? Pra piorar a minha dor?” Convidou-o para entrar, e ele aceitou o convite. Sentou-se no sofá, sofá ao qual há dois dias eles haviam dado o último beijo, quando pensou nisso, quase se derramava em lágrimas, mas se recompôs para não se mostrar fraca. O silêncio a constrangia então ela ofereceu um copo de uísque e ele aceitou. Foi até o bar, colocou duas pedras de gelo (como ele sempre pedia) e o entregou. Sentiu o calor de seus dedos, não pôde evitar. Sentou-se e continuou calada. Ele deu a primeira golada. E quando ia proferir a primeira palavra, ela agarrou-lhe e deu um enorme beijo. Adrian ficou sem entender aquilo e a afastou. Ela começou a chorar e falar. “Perdoe-me, querido! Não deveria ter dito aquilo. Eu te amo, não sei mais viver sem você. Se precisar eu me ajoelho e lhe imploro o teu perdão. Preciso de você. Não faça isso comigo. Dá-me outra chance, minha vida não é nada sem você para dar cor a ela”
Aquela cena foi lamentável. Aquela pobre moça, jogada no chão aos prantos. Adrian se encheu de ódio e lembrou-se da noite anterior. Levantou e disse: “Não vim aqui para ouvir isso, muito menos para ver suas cenas. Quero apenas as minhas coisas que deixei aqui. Irei buscá-las agora e não quero ouvir mais nada. Espero que entenda que para mim você não existe mais.” Ele se dirigiu ao quarto e em sua cabeça se passava um turbilhão de idéias, ele não sabia por que havia dito aquilo, ele também a amava. Por quê? Ela não merecia aquilo.
Enquanto isso, ela chorava de uma forma tão intensa. Pensou por vezes ir atrás, mas não estava em condições. Até que uma força que ela não sabe de onde veio tomou conta de seu corpo. Levantou, limpou as lágrimas, foi novamente atrás de Adrian e lhe abraçou. Aquilo tocou o coração do seu amado. Ela se pôs em sua frente, e deu-lhe novamente outro beijo! Aquele foi aceito, e devolvido com uma intensidade exacerbada. Ela sentiu-se no céu, tantos pensamentos bons invadiam a sua mente, pensou em chorar. Mas estava feliz demais para isso.
Um som estranho começou a incomodá-la. Quando passou a agitação e voltou a si, estava deitada em sua cama, suada da cabeça aos pés. Então percebeu que aquilo não passou de um sonho. E que seu amado não estava mais com ela. A expressão do seu rosto se transformou no mesmo instante. E ela caiu em prantos. Não havia mais sentido a sua vida. Adrian havia a destruído por completo. Agora só lhe restavam os espinhos.
"Estragar a própria vida é um direito inalienável"
Texto por Philipe Santos
(De "Confissões de Madéleine", parte XI)

1 comentários:
coitada de Mad... aposto que ele ama ela ainda e fica fazendo isso.
nao sei como eh o resto do conto, mas deve ser bem legal
tá muito massa nego.
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